18 novembro 2008

Outro TEXTO! (Gosto mais do outro, mas este tb tá giro)

Choveu a semana passada. O parque cheira a limpo e ela caminha de bloco debaixo do braço, alheada de tudo, menos da natureza que a rodeia. As folhas caem delicadamente não fazendo qualquer ruído quando aterram, douradas, no chão de terra batida. No lago saltam peixes coloridos e lânguida, mas atentamente, os patos deslizam pela superfície. Ela olha para cada um deste pormenores e sente formigueiros nas mãos e uma ânsia de se sentar e desenhar tudo o que vê. Mas neste dia tem as suas folhas reservadas para algo mais. Continua o seu caminho e chega ao ponto que estava registado na sua mente há muito tempo. Senta-se, vira a primeira folha do bloco e começa a desenhar.
Na folha começa a surgir a árvore, os ramos desnudos, o ninho coberto pelo corpo de uma pomba branca, com uma das asas caídas para fora dele. Os olhos estão abertos, ou então pareceria que dormia e não que o seu pequeno coração deixara de bater. Não havia sangue num único ponto do seu corpo e ela não sabia como aquilo fora possível.
Porém o espectáculo fascinava-a macabramente. Pensara naquilo durante toda a semana, fechada no seu quarto, tomando os seus comprimidos, bebendo a sua água e comendo as suas refeições. Aquele cenário dominara-lhe o espírito e apenas o queria desenhar, apesar de não poder sair. Não sabia porquê, mas sentia em si que não podia sair. Temia que a pomba desaparecesse e por vezes quase chorava ao pensar nisso e não sabia se o conseguiria desenhar de memória. Quando saíra naquela manhã, não sabia o que esperar, mas tivera sorte. O seu cenário perfeito ainda ali estava.
Desenha-o o dia todo. Vezes e vezes sem conta. Só pára quando está demasiado escuro e os riscos do lápis já não se distinguem da folha, nem o corpo da pomba do ninho. Volta no dia seguinte. Não comera nada, não bebera, mal dormira. Está dominada por um desejo febril e insano. Não tomara os comprimidos.
Chovia no dia em que a encontraram caída sobre o seu bloco de desenhos. Desenhada vezes e vezes sem conta estava a mesma árvore, com o mesmo ninho e com a mesma pomba morta. Foi impossível identificar qual era a árvore, pois perto dela não havia nenhuma com uma pomba morta, ou sequer com um ninho.

3 comentários:

Fat Minded Boy disse...

Comento aqui os dois textos...

BRUTAIS!

The end...

xD
LOL

Okay, eu adoro os teus textos, tu sabes lol... xD e concordo com a sara, estas cada vez melhor... **

Beijinhoooss**
Lov ya*

Renato "Lp" Lopes disse...

Está giro, sim senhor ^^

X_x disse...

Claro que haverá uma referênciazinha a esta rapariga que tantas ideias-base te dá, via sms, em dias de 37CºE.


(=emo)

Muahahahahahahah!