30 novembro 2008

Aceitam-se sugestões para o titulo...

Aquela música que deixaste
Não foi a primeira que ouvi
Desta vez que me amaste
Não foi a primeira em que sofri

Amor, amor sem regras
Odeio-te tanto.

Porque te apegas?

18 novembro 2008

Outro TEXTO! (Gosto mais do outro, mas este tb tá giro)

Choveu a semana passada. O parque cheira a limpo e ela caminha de bloco debaixo do braço, alheada de tudo, menos da natureza que a rodeia. As folhas caem delicadamente não fazendo qualquer ruído quando aterram, douradas, no chão de terra batida. No lago saltam peixes coloridos e lânguida, mas atentamente, os patos deslizam pela superfície. Ela olha para cada um deste pormenores e sente formigueiros nas mãos e uma ânsia de se sentar e desenhar tudo o que vê. Mas neste dia tem as suas folhas reservadas para algo mais. Continua o seu caminho e chega ao ponto que estava registado na sua mente há muito tempo. Senta-se, vira a primeira folha do bloco e começa a desenhar.
Na folha começa a surgir a árvore, os ramos desnudos, o ninho coberto pelo corpo de uma pomba branca, com uma das asas caídas para fora dele. Os olhos estão abertos, ou então pareceria que dormia e não que o seu pequeno coração deixara de bater. Não havia sangue num único ponto do seu corpo e ela não sabia como aquilo fora possível.
Porém o espectáculo fascinava-a macabramente. Pensara naquilo durante toda a semana, fechada no seu quarto, tomando os seus comprimidos, bebendo a sua água e comendo as suas refeições. Aquele cenário dominara-lhe o espírito e apenas o queria desenhar, apesar de não poder sair. Não sabia porquê, mas sentia em si que não podia sair. Temia que a pomba desaparecesse e por vezes quase chorava ao pensar nisso e não sabia se o conseguiria desenhar de memória. Quando saíra naquela manhã, não sabia o que esperar, mas tivera sorte. O seu cenário perfeito ainda ali estava.
Desenha-o o dia todo. Vezes e vezes sem conta. Só pára quando está demasiado escuro e os riscos do lápis já não se distinguem da folha, nem o corpo da pomba do ninho. Volta no dia seguinte. Não comera nada, não bebera, mal dormira. Está dominada por um desejo febril e insano. Não tomara os comprimidos.
Chovia no dia em que a encontraram caída sobre o seu bloco de desenhos. Desenhada vezes e vezes sem conta estava a mesma árvore, com o mesmo ninho e com a mesma pomba morta. Foi impossível identificar qual era a árvore, pois perto dela não havia nenhuma com uma pomba morta, ou sequer com um ninho.

13 novembro 2008

Um post por mês, é esse o meu objectivo! Yes, I can!

Uma rapariga estava sentada num café. À sua frente estava uma caneca fumegante de chocolate que ela pedira há algum tempo atrás. No momento apenas a observava atentamente como se, no líquido castanho e, que ela sabia ser, saboroso, estivesse o segredo para todas as suas preocupações. Suspirou, uma e outra vez à medida que o chocolate fumegava menos. E menos. Talvez o seu cabelo já cheirasse a chocolate quente.
– Desculpa, mas… posso me sentar?
Olhou para cima e viu outra rapariga também com uma caneca de chocolate quente na mão. Nos seus olhos via-se uma promessa de que não iria incomodar, apenas se queria sentar, já que todas as outras mesas estavam ocupadas. Ela anuiu e a rapariga sentou-se, pousando a sua caneca de chocolate. Estranhamente, tomou a mesma posição que ela, e fitou a bebida demoradamente.
A primeira rapariga começou a beber o seu chocolate. Bebia devagar, com um pensamento a fluir em cada gole. Uma maneira calma e simples de controlar a dor. Uma estratégia para impedir que a sua mente fosse invadida por demasiadas coisas que a fariam chorar. Quanto mais tempo demorasse a beber, menos coisas a feriam. Menos tempo pareceria faltar para sair daquele estado.
A rapariga à sua frente continuava a olhar para a caneca tal como ela fizera. Talvez sentisse o mesmo por razões diferentes. Talvez estivesse a fugir de algo. Não estava ela também? Não estava toda a gente à sua volta?
Bebeu o último golo e prolongou a sua dormência enquanto se levantava e arrumava a cadeira. A outra rapariga lançou-lhe um olhar calmo, cheio de dor. Ela apenas saiu.
Uma rapariga estava sentada num café.